Você está se preparando para a retomada econômica pós-pandemia?

Marcus Giorgi - Sócio da EXEC

Estamos começando a nos preparar para uma retomada da abertura da economia. Diversos setores já estão se estruturando para este novo recomeço e, tanto no mundo privado quanto público, mudanças profundas já começaram a acontecer.

Aparentemente, tudo indica que entraremos em breve na curva descendente dos números de casos e óbitos devido à COVID-19 no Brasil. Medidas de relaxamento da quarentena já começam a ser implantadas nas principais cidades brasileiras e aos poucos os chamados setores não-essenciais começam a retomar suas atividades econômicas após quase 3 meses da maior crise já enfrentada pela humanidade em tempos de paz.

Aqui no Brasil, o governo federal segue seu curso na tentativa de retomar e recuperar a tão prejudicada economia dos últimos anos, agora infelizmente agravada pela pandemia que jogou outros milhões de brasileiros no desemprego. Na busca pelas tão necessárias reformas administrativa, trabalhista e fiscal, o ministro Paulo Guedes e sua equipe trabalham para desburocratizar a máquina estatal e atrair os corajosos e ousados empreendedores e empresários daqui e do exterior para que acreditem no país e façam os chamados investimentos diretos em nossa economia.

Com a queda na taxa de juros SELIC para o mais baixo patamar da nossa história, a inflação controlada e a bolsa de valores numa retomada de crescimento sustentado após uma queda abrupta causada pela pandemia da COVID-19, volta-se a criar um ambiente mais favorável e promissor para que se invista mais no Brasil principalmente em obras de infraestrutura, infelizmente relegadas ao segundo plano pelos governos anteriores em detrimento do estímulo ao consumo. Todo esse cenário compõe a energia potencial propulsora para fazer a máquina econômica girar novamente e trazer os tão necessários e urgentes empregos que uma grande parte da população anseia já faz um bom tempo.

Obras de infraestrutura, importantíssimas na expansão e renovação da nossa malha logística, na renovação e atualização da nossa indústria, na expansão e diversificação da nossa matriz energética e no fornecimento de serviços básicos à população como saneamento e esgoto, são catalisadoras importantes para a retomada de um círculo virtuoso de crescimento. Somado à investimentos na educação, o Brasil pode recuperar em parte décadas perdidas e colocar-se economicamente próximo às nações que souberam fazer essa tão importante lição de casa no passado. Nessa análise da situação, destaco ainda o papel fundamental da nossa chancelaria para a atração desses investimentos diretos provenientes de todas as partes do mundo. Vale lembrar que obras de infraestrutura trazem em si muita tecnologia embarcada, ou seja, uma grande oportunidade para aumentar a demanda por engenheiros nas suas mais variadas especializações.

O setor de serviços como um todo também se beneficiará e expandirá, pois, a manutenção e suporte às essas tecnologias provocará uma crescente busca por profissionais do setor de exatas tais como tecnólogos, cientistas de computação e dados, estatísticos, matemáticos e físicos dentre outros. Com uma melhoria no ambiente político e um cenário interno mais transparente com uma maior governança e disciplina nos gastos públicos (infelizmente severamente impactados pelos gastos emergenciais devido ao novo corona vírus), devemos observar cada vez mais a chegada de empresas que até então não ousavam atracar por aqui e investir. Sejam elas multinacionais ou empreendedores da nova economia sustentadas por um dólar ainda alto perante o nosso real (o que torna o Brasil um país barato para se investir), verão no país um campo fértil para pilotar e expandirem com escala seus negócios. Tal cenário demandará a visão e conhecimento local de consultorias estratégicas, advogados e profissionais de marketing e vendas para apoiarem e suportarem esses novos players nas suas estratégias de entrada no país.

Destaco ainda o importante papel das empresas de Venture Capital, Private Equity e serviços financeiros como um todo. Estes setores continuarão a ser procurados por novas empresas que queiram se estabelecer no Brasil, e tais setores farão o papel de Advisors, construindo a ponte com empresários locais e fomentando uma nova leva de parcerias, fusões e aquisições.

Com relação ao setor educacional, peça-chave para sustentar os próximos anos de crescimento econômico a partir de 2021, devemos imediatamente preparar melhor nossos jovens para o mercado de trabalho. Desde um salto significativo na melhoria no ensino básico e fundamental, passando por investimentos em cursos técnicos e profissionalizantes até incentivos ao setor acadêmico nas áreas de pesquisa e desenvolvimento. Além disso, devemos todos criar um ambiente propício e atrativo de oportunidades de trabalho para mantermos nossos talentos no país. A pandemia também nos mostrou a importância das áreas relativas à saúde no que tange a pesquisa e desenvolvimento, biotecnologia, nanotecnologia, medicina e todas suas áreas correlatas. Está aí outro campo promissor para se desenvolver uma carreira.

Enquanto as urgentes e necessárias reformas vão sendo encaminhadas pelo governo para aprovação no Congresso, minha recomendação aos profissionais é que busquem sempre atualizar-se perante as novas tendências e tecnologias existentes no mercado. Vivemos cada vez mais em um mundo em transformação digital. Tal fato foi corroborado durante a pandemia da COVID-19, visto que as empresas que já haviam embarcado nessa transformação souberam navegar melhor suas operações e seus negócios durante essa tempestade. Tudo isso serviu para mostrar a importância de se investir constantemente na sua educação digital seja em especializações na sua área, seja em cursos voltados à nova economia. Tal investimento lhe possibilitará não só melhor aproveitar as oportunidades de trabalho hoje em dia já demandadas, mas também as que um futuro cada vez mais presente lhe exigirá.

Não poderia terminar esse artigo sem mencionar os chamados soft skills ou competências comportamentais. Observamos e observaremos as interações humanas serem cada vez menores no mundo físico e cada vez maiores através de plataformas digitais e inteligência artificial. Esses momentos de interação profissional farão a diferença na sua empregabilidade e valor de mercado. Além do conhecimento e domínio de no mínimo um terceiro idioma (somado ao português e inglês) que lhe permitirá destacar-se de outros profissionais, sua resiliência, que já foi testada durante a pandemia será cada vez mais exigida e demandada. Destaco ainda sua inteligência emocional que será cada vez mais colocada à prova nos dias de hoje. Saber navegar bem em ambientes sociais e profissionais ao mesmo tempo, significa saber construir e vender bem sua marca pessoal no mercado. Seja no mundo físico ou no mundo digital, tais competências com certeza lhe garantirão um lugar ao sol nessa retomada de crescimento que felizmente já está acontecendo.

Marcus Giorgi, Sócio da EXEC