Agronegócio em 2020: tecnologia, perspectivas e contratações

Camila Marion - Sócia da EXEC

Um dos grandes motores da economia brasileira, o setor do agronegócio acompanha, assim como em todos os setores, as transformações da era digital.

 O ano de 2019 no agronegócio foi marcado por fusões e aquisições, o que fez com que muitas empresas do setor passassem mais por acomodação de suas estruturas do que por contratações. Assim, certamente, 2020 será movimentado, com maior número de contratações externas, tanto para buscar os talentos perdidos, quanto para substituir os que não se encontraram nas novas cadeiras.

As posições mais procuradas, de acordo com nosso mapeamento entre os principais players do mercado, serão as de Diretoria comercial, Gerência regional de vendas, Diretoria Financeira e Gerência de Recursos Humanos. Nossas projeções indicam que em 2019, os mercados de Carnes e Derivados, Agroquímicos e Sementes e Grãos foram os que mais contrataram, já em 2020, acreditamos que os que mais irão contratar são os segmentos de Biotecnologia, Açúcar e Álcool, Agroquímicos e sementes.

Em relação ao avanço da tecnologia, o mercado de máquinas agrícolas é o que mais se destaca, lançando máquinas com sensores que captam diversos dados, capazes de ajudar na tomada de decisão em relação ao plantio ou à irrigação, por exemplo.

A utilização de IoT já é uma realidade nas fazendas, trazendo conectividade e facilitando o planejamento das ações.

Dessa forma, vemos que todos estão buscando trazer elementos para suportar a transformação digital necessária que permitirá maior ganho de competitividade no setor.

No entanto, certamente não há profissionais suficientemente prontos para esta demanda. Muitos têm buscado se aproximar de startups para entender como elas têm atuado neste mundo, já outros estão fazendo cursos ligados ao tema e/ou workshops.

É fato que transformação digital poderá excluir profissionais do mercado por dificuldade de adaptação. Entretanto, o agro sentirá isso de forma mais tardia, pois a experiência acumulada na área ainda é um diferencial importante para as empresas do setor.

Outro aspecto que chama a atenção é o fato de que é relativamente menor a presença de mulheres neste mercado. O processo da transformação digital ainda não é porta de executivas mulheres no setor, mas essa realidade deve mudar nos próximos anos. Hoje, a diversidade estaria mais relacionada a mudanças de cultura nas organizações, e não tanto às transformações tecnológicas.

Sobre as contratações, o que notamos são profissionais vindos do próprio agro do que efetivamente de outros setores da economia para compor as cadeiras. Os clientes pedem isso ao contratar. São raros os clientes que flexibilizam para outros mercados, como algumas contratações que fizemos em Recursos Humanos e Finanças, que são áreas que navegam com mais facilidade em vários mercados, apesar de que, nessa última, há algumas especificidades que o agro exige. De todo modo, em 2020, há muito otimismo com o agronegócio.

Camila Marion, Sócia da EXEC